Caravaggio e as suas obras de Davi

Caravaggio não pintou o tema de Davi e Golias apenas uma vez. Voltou a ele três vezes, em momentos diferentes da carreira, e as diferenças entre as versões contam, sozinhas, a história de como o pintor mudou.

Três telas, três museus

A primeira versão, por volta de 1600, está hoje no Museo del Prado, em Madrid, pintada quando Caravaggio ainda integrava a casa do cardeal Francesco Maria del Monte, no início de sua ascensão em Roma. A segunda, de 1606-1607, está no Kunsthistorisches Museum, em Viena. A terceira, feita entre 1605 e 1610 conforme a datação adotada pelos estudiosos, está na Galleria Borghese, em Roma, e é a mais discutida das três.

Da serenidade à confissão

A versão de Madrid tem uma serenidade quase clássica, ainda distante da intensidade emocional que marcaria as obras finais do pintor. A de Viena já mostra maior tensão dramática, o Davi mais próximo do gesto e do rosto de Golias. Mas é a versão de Roma que carrega o peso maior: o rosto do gigante decapitado é identificado como o autorretrato do próprio Caravaggio, pintado enquanto ele vivia foragido por homicídio e buscava um perdão papal.

Um tema que virou investigação pessoal

Caravaggio explorava certos temas repetidamente ao longo da carreira, como fez também com múltiplas versões de São João Batista, tratando cada repetição não como cópia, mas como uma nova investigação emocional e técnica. No caso de Davi e Golias, essa repetição termina numa confissão: a última versão do tema é também a mais pessoal, o momento em que o pintor se colocou dentro da própria obra.

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Perguntas frequentes

Quantas vezes Caravaggio pintou o tema de Davi e Golias?

Três vezes, em museus diferentes, o Museo del Prado, em Madrid (por volta de 1600), o Kunsthistorisches Museum, em Viena (1606-1607), e a Galleria Borghese, em Roma (entre 1605 e 1610, conforme a datação adotada).

Qual a diferença entre as três versões?

A versão de Madrid é da fase inicial da carreira, mais serena. A de Viena já mostra maior tensão dramática. A de Roma, a mais tardia, é também a mais pessoal, com o rosto de Golias identificado como autorretrato do próprio Caravaggio.

Por que Caravaggio voltava tantas vezes ao mesmo tema bíblico?

Ele explorava repetidamente certos temas ao longo da carreira, também com múltiplas versões de São João Batista, tratando cada repetição como uma nova investigação emocional e técnica sobre a mesma cena.

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