Nous · Artigos

Ensaios e leituras

Textos sobre filosofia, teologia, história da Igreja e os clássicos, escritos com a mesma lente filosófico-cristã das nossas aulas. Por John Wanzer.

Literatura e vida

Como ler uma peça de teatro sem travar

Se você abre uma peça de teatro e trava nas rubricas e em quem está falando, o problema não é você. É o formato. Veja o método para destravar a leitura.

Literatura e filosofia

Ofélia, a única que enlouquece de verdade

O quadro mais reproduzido da língua inglesa retrata uma cena que a peça nunca encena. E é exatamente isso que aconteceu com Ofélia do início ao fim, um sofrimento que ninguém assiste de perto.

Literatura e filosofia

Hamlet, de Shakespeare: resumo e análise

Não é o indeciso: é o único personagem em cena que calculou o preço de agir. O resumo que segue a peça ato a ato e explica por que a espada não desce.

Literatura e filosofia

O fantasma de Hamlet: purgatório ou inferno?

A pergunta que organiza a peça inteira não é se Hamlet vai se vingar. É de onde veio aquela voz debaixo do palco, e se obedecer a ela é honrar o pai ou cair numa armadilha.

História das Ideias e da Civilização

O purgatório na Inglaterra de 1601

A Inglaterra que assistiu a estreia de Hamlet era protestante havia mais de sessenta anos, e a Reforma tinha abolido o purgatório. Um fantasma que vem de lá era, tecnicamente, um fantasma proibido.

Literatura e política

Por que Hamlet não herdou o trono

Não é um buraco no enredo. A Dinamarca da peça escolhe seu rei por conselho, e isso muda tudo o que Cláudio fez, e o que Hamlet faria se matasse o rei eleito.

Filosofia e teologia

Por que Hamlet não mata Cláudio rezando

A plateia acabou de ouvir Cláudio confessar que a própria oração não sobe. Hamlet não ouviu. E é aí que mora a ironia mais dura da peça.

Filosofia Aplicada

Dilema moral: quando nenhuma saída é limpa

A diferença entre o conflito de deveres que se resolve e o dilema moral genuíno, em que qualquer escolha cobra um preço. O nome que a filosofia dá ao impasse sem saída limpa.

Filosofia grega

A verdade saiu do templo e foi para a praça

No templo a palavra descia de quem sabia para quem escutava. Na praça grega ela passou a ser dita entre iguais, e quem discordasse respondia ali mesmo.

Filosofia Aplicada

Duvidar do que me ensinaram é falta de fé?

Examinar o que a tradição te ensinou não nasce contra a fé. Nasce da mesma capacidade que a tradição cristã chama de imagem de Deus em você.

Filosofia grega

O alfabeto que tornou o argumento conferível

Vinte sinais, aprendidos em semanas, contra centenas de sinais e anos de treinamento. A técnica que tirou o argumento das mãos de uma casta e o pôs à prova de qualquer um.

Filosofia Aplicada

Thaumazein: o espanto que não se contenta

Todo povo já se espantou com o mundo. A filosofia não nasce do espanto, nasce do espanto que se recusa a parar na primeira resposta que soa bem.

Grandes Livros e Literatura

Os gregos que morreram antes de Cristo

São Justino, filósofo e mártir, respondeu a uma pergunta que a maioria evita, sobre os gregos que pensaram com retidão sem nunca ouvir falar de Cristo.

Grandes Livros e Literatura

Paideia: formação não é instrução

Para os gregos, o ponto de tudo não era acumular matéria numa cabeça. Era formar o ser humano inteiro. Werner Jaeger recuperou essa palavra em Paideia.

Filosofia grega

A filosofia não nasceu da democracia grega

Tales pensa quase oitenta anos antes das reformas de Clístenes, do outro lado do Egeu. A filosofia e a democracia nasceram do mesmo hábito, e a filosofia veio primeiro.

Vida intelectual

Análise crítica não é resumo: o que sobra da leitura

O resumo devolve o enredo, que se esquece. A análise crítica pergunta o que a obra ensina, contra o que argumenta e o que exige que você mude. É o que decide o que sobra da leitura.

História das ideias

China e Coreia do Norte: reeducar é fazer amar o regime

Não é ficção científica: crianças que espionam os pais, campos que ensinam a amar o regime, e o quarto 101 que Orwell só nomeou.

História das ideias

Orwell não previu 1984: ele reconheceu o próprio tempo

Ele não inventou a Oceania olhando para o futuro, olhou para o lado: Stalin, Hitler e a utopia de Thomas More, virada do avesso.

História das ideias

Reescrever o passado é a jogada mais eficiente do poder

Vigilância exige aparato, tortura exige tempo. Alterar um registro é silencioso e definitivo: o argumento mais afiado de 1984.

Literatura e filosofia

1984, de Orwell: o aviso que virou rotina

A Oceânia, as três classes do Partido e a guerra perpétua que talvez seja só teatro. Por que 1984 não previu o futuro, reconheceu o presente.

Filosofia

Convicção ou medo: a linha entre autoridade e poder

Poder ilegítimo domina pelo medo, pela manipulação ou pela força. Autoridade legítima é seguida por convicção. A distinção que separa um governo de uma tirania, e uma fé de um domínio emocional.

Filosofia

Deus e o Estado, de Bakunin

Bakunin quis abolir toda autoridade, religiosa ou estatal, em nome da liberdade individual. O efeito pêndulo pergunta: isso resolve o problema, ou só o reinicia?

Filosofia

Entre o controle total e o caos, a via do meio

Nem o controle absoluto de 1984 nem a ausência de autoridade de Bakunin. A via do meio é a reeducação do cidadão nas virtudes e nos deveres, e ela começa nos clássicos.

Filosofia

Fugir de um extremo raramente leva ao equilíbrio

Bakunin reagiu à opressão do Estado e da religião propondo a abolição total da autoridade. O efeito pêndulo explica por que esse tipo de reação raramente encontra o meio-termo.

Literatura e filosofia

O quarto 101 e o fim de Winston Smith

O'Brien não quer que Winston confesse, quer que Winston acredite. Por que o desfecho de 1984 é pior do que a morte, e o que o quarto 101 virou hoje.

Literatura e filosofia

Os três slogans do Partido em 1984

"Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força." Por que os slogans de 1984 não são frases de efeito, e como eufemismos modernos fazem o mesmo trabalho.

História da Igreja

Castel Gandolfo, a residência dos papas

Por que os papas passam o verão sobre uma cratera vulcânica desde o século XVII, e por que isso mudou duas vezes nas últimas décadas.

História e viagem

Castelli Romani, o que ver

Frascati, Castel Gandolfo e o lago de Albano, na cratera vulcânica que a elite romana escolheu para escapar da cidade há mais de dois mil anos.

Filosofia

Otium: por que sair da cidade para pensar

O otium romano não é lazer, é método. De Cícero em Túsculo aos papas em Castel Gandolfo, o retiro sempre foi parte do trabalho de pensar.

Filosofia e política

Eichmann em Jerusalém: banalidade do mal

O que Hannah Arendt quis dizer com banalidade do mal, e por que a expressão é tão citada quanto mal compreendida.