Qual é o Sentido da Vida?

Existe uma pergunta que a maioria evita fazer em voz alta: para que serve, no fim, tudo o que você faz? Quatro respostas tentaram encará-la de frente, cada uma partindo do mesmo silêncio do universo. Só uma delas não depende só da sua própria força de vontade para se sustentar.

A resposta estoica: viver de acordo com a razão

A mais antiga veio de um pórtico em Atenas, a Stoa, que deu nome à escola fundada por Zenão de Cítio. Séculos depois, Epiteto resumiu a ideia numa única regra prática: separe, em qualquer aflição, o que depende de você (seu julgamento, sua reação, sua virtude) do que não depende (a opinião alheia, a doença, a morte), e invista toda a energia só na primeira metade. É a dicotomia do controle.

É uma resposta nobre, e ainda hoje ajuda muita gente a atravessar a perda sem desmoronar. Mas tem um limite silencioso: pede serenidade diante do cosmos, sem nunca perguntar se esse cosmos quer alguma coisa de nós, ou se apenas gira, indiferente.

O mundo sem Deus: a pedra que sempre volta

O filósofo Albert Camus chamou de absurdo o divórcio entre a fome humana de sentido e o silêncio do universo diante dela. Para retratar essa condição, recorreu a um personagem da mitologia grega: Sísifo, condenado a empurrar uma pedra montanha acima para sempre, vendo-a rolar de volta bem no instante em que alcançava o topo.

No ensaio O Mito de Sísifo, de 1942, Camus chega a uma conclusão que ficou famosa: "é preciso imaginar Sísifo feliz". Não porque a tarefa tenha sentido, ela não tem, mas porque Sísifo pode escolher habitar seu próprio destino sem se render a ele. É uma resposta corajosa, mas é uma coragem que se sustenta sozinha, sem nenhum apoio por baixo dela.

O extremo da lógica sem Deus

O escritor russo Fiódor Dostoiévski quis saber o que acontece a quem não para na beira do abismo. No romance Os Demônios, o personagem Kiríllov chega a um raciocínio gelado: se Deus não existe, nenhuma lei está acima do homem, nada o impede de fazer absolutamente qualquer coisa. A prova suprema dessa liberdade sem fronteira seria a única ação que nenhum instinto de sobrevivência consegue explicar: tirar a própria vida, por vontade pura.

É o mesmo ponto de partida de Camus, levado pelo caminho oposto: em vez da revolta que continua empurrando a pedra, a autodestruição como prova final de que ninguém manda em mim.

O que sobrevive à noite mais escura

Foi num lugar ainda mais escuro que qualquer romance que alguém encontrou o chão que faltava aos dois anteriores. O psiquiatra Viktor Frankl esteve preso em campos de concentração nazistas, e observou que, entre prisioneiros que sofriam a mesma fome e a mesma violência, sobreviviam melhor, por dentro, os que tinham um porquê pelo qual viver.

No livro Em Busca de Sentido, Frankl descreve a logoterapia: sentido não é algo que se inventa por conta própria, como Sísifo tentando se convencer de que é feliz. É algo que se descobre, sempre voltado para fora de si mesmo, seja numa obra a realizar, seja no amor por uma pessoa concreta, seja na atitude com que se carrega um sofrimento que não se pode evitar.

Sentido não se inventa, se recebe

Se o sentido só aparece numa relação com algo maior, a pergunta seguinte é inevitável: maior o suficiente para quê? Um projeto acaba, uma pessoa amada morre, e se o "maior" for só isso, a pedra volta a rolar. É preciso um maior que não acabe, que não seja também ele uma pedra rolando morro abaixo: o Logos, a razão que ordena todas as coisas e que se fez também Palavra.

Se existe um Deus pessoal por trás do universo, o sentido deixa de ser uma pedra que empurramos sozinhos ou um ato de coragem sem eco. Vira resposta a um chamado que já estava lá antes de perguntarmos, e que espera de volta, não desempenho, mas relação. Isso não anula nem Camus nem Frankl: a coragem de continuar e a doação a algo maior seguem sendo o caminho humano de viver o sentido, só que agora sustentado por Alguém, não por nós mesmos.

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Perguntas frequentes

Qual é o sentido da vida, segundo a filosofia?

Não existe uma resposta única. Quatro tentaram: o estoicismo (viver de acordo com a razão), o absurdo de Camus (a revolta de continuar sem esperar sentido nenhum), a lógica extrema de Kiríllov, em Dostoiévski (a liberdade sem Deus), e a logoterapia de Viktor Frankl (o sentido que se descobre numa relação com algo maior). Só a última se sustenta sem depender só da força de vontade de quem a vive.

O que Viktor Frankl descobriu sobre o sentido da vida?

Preso em campos de concentração nazistas, Frankl observou que sobreviviam melhor, por dentro, os prisioneiros que tinham um porquê para viver. Sentido, concluiu, não se inventa: se descobre, sempre voltado para fora de si mesmo, numa obra, num amor ou na atitude diante do sofrimento.

Sísifo é feliz, segundo Camus?

Camus conclui que "é preciso imaginar Sísifo feliz": não porque a tarefa de empurrar a pedra tenha sentido, mas porque Sísifo pode escolher habitar seu próprio destino sem se render a ele. É uma resposta corajosa, mas que se sustenta sozinha, sem nenhum apoio por baixo dela.

Continue: O que é o Estoicismo · A Dicotomia do Controle, de Epiteto · De onde vem a frase "quem tem um porquê para viver"
Aula de origem (Comunidade NousCast): O Sentido da Vida: o que Camus, Dostoiévski e Frankl responderam