Castel Gandolfo, a residência dos papas

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Castel Gandolfo é a residência de verão dos papas desde 1626, quando o papa Urbano VIII passou ali o primeiro período de estadia de um pontífice. Quatro séculos depois, o costume de deixar Roma no calor do verão para se retirar para uma pequena cidade sobre um lago vulcânico continua, com uma interrupção de sessenta anos pelo meio.

Uma antiga fortaleza vira palácio

Antes de ser residência papal, Castel Gandolfo era uma fortaleza medieval nos Castelli Romani, a cerca de vinte e cinco quilômetros de Roma. Urbano VIII, da família Barberini, transformou a antiga rocca em residência de verão, com obras dirigidas pelo arquiteto Carlo Maderno e decorações pictóricas a cargo de Simone Lagi. Os papas seguintes ampliaram o conjunto ao longo dos séculos: Alexandre VII contou com a contribuição de Bernini, e Clemente XIV comprou a vizinha Villa Cybo, incorporando-a ao complexo.

A escolha do lugar não foi acidental. Os Castelli Romani já eram, desde a Antiguidade, o destino de quem podia se afastar de Roma no calor do verão: séculos antes de qualquer papa passar ali uma temporada, o próprio Cícero escreveu as Disputações Tusculanas na sua villa em Túsculo, na mesma região, perto da atual Frascati. O costume papal de deixar a cidade pelo verão retoma, sem dizer isso abertamente, um hábito que a elite romana já praticava havia mais de mil e seiscentos anos.

Sobre um lago dentro de uma cratera

O palácio se ergue à beira do lago de Albano, um dos lagos vulcânicos formados pela atividade do antigo Vulcão Laziano, na região dos Castelli Romani. É o lago vulcânico mais profundo da Itália, com cerca de 168 metros de profundidade, ocupando o fundo de uma cratera resultante de pelo menos cinco explosões distintas ao longo de milhares de anos. A escolha do lugar não foi apenas estética: a altitude e a proximidade da água ofereciam um alívio real ao calor do verão romano, antes de qualquer forma de refrigeração artificial.

O contraste entre a origem violenta do terreno, formado por explosões vulcânicas muito anteriores a qualquer presença humana na região, e a função contemplativa que ele acabou recebendo séculos depois, como retiro de descanso e oração, resume bem o destino de boa parte da paisagem dos Castelli Romani: crateras que a natureza abriu, e que o tempo transformou em lugar de repouso.

Sessenta anos de interrupção

O uso contínuo de Castel Gandolfo pelos papas não atravessou os quatro séculos sem quebra. Em 1870, com o fim do Estado Pontifício e a anexação de Roma ao Reino da Itália, o palácio ficou cerca de sessenta anos sem receber a corte papal. Só com os Pactos de Latrão, assinados em 1929 entre a Santa Sé e o Estado italiano, Castel Gandolfo voltou a acolher os papas durante os meses quentes, retomando um costume que já tinha três séculos de história antes da pausa.

Os Pactos de Latrão também definiram o estatuto especial do lugar: Castel Gandolfo passou a integrar o território sob soberania da Santa Sé, com o mesmo tipo de extraterritorialidade que se aplica à Cidade do Vaticano, ainda que fisicamente separado dela por quilômetros de Castelli Romani. É, na prática, um segundo território papal fora de Roma, erguido sobre uma cratera vulcânica com séculos de história antes de qualquer papa ter posto os pés ali.

O que mudou nas últimas décadas

Em 2016, o papa Francisco abriu os apartamentos privados de Castel Gandolfo como museu, permitindo ao público visitar o mesmo palácio antes reservado à residência papal. Em 2026, exatamente quatrocentos anos depois da primeira estadia de Urbano VIII, o papa Leão XIV retomou o lugar como residência de verão, devolvendo a ele a função que o tinha definido por quase quatro séculos.

A retomada foi gradual e não fechou o palácio de vez. Leão XIV passou primeiro pela Villa Barberini e, a partir de julho de 2026, voltou a ocupar o Palácio Apostólico. Quem planeja a visita precisa saber o que mudou na prática: o palácio segue visitável na maior parte do ano, e fecha ao público no período em que o papa está lá.

Este texto nasceu de um lugar que dá para visitar. Se quiser ver de perto, com quem estuda e vive essas obras, acesse o link: a imersão cultural em Roma

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Perguntas frequentes

Desde quando Castel Gandolfo é residência de verão dos papas?

Desde 1626, quando o papa Urbano VIII passou ali o primeiro período de estadia de um pontífice, transformando uma antiga fortaleza em residência de verão, com obras dirigidas pelo arquiteto Carlo Maderno.

Por que Castel Gandolfo fica sobre um vulcão?

O palácio se ergue à beira do lago de Albano, que ocupa o fundo de uma cratera do antigo Vulcão Laziano, hoje inativo. É o lago vulcânico mais profundo da Itália, com cerca de 168 metros de profundidade.

Os papas sempre usaram Castel Gandolfo todo verão?

Não. Depois do fim do Estado Pontifício, em 1870, o palácio ficou cerca de sessenta anos sem uso papal, até os Pactos de Latrão, de 1929, devolverem a Castel Gandolfo sua função de residência.

Castel Gandolfo ainda é usado pelos papas hoje?

Em 2016, o papa Francisco abriu os apartamentos privados como museu. Em 2026, quatro séculos depois da primeira estadia de Urbano VIII, o papa Leão XIV retomou Castel Gandolfo como residência de verão. O palácio continua visitável na maior parte do ano, e fecha ao público no período em que o papa está lá.

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