Em 1848, Dostoiévski ainda não era o gênio torturado que o mundo aprenderia a temer e a venerar. Era apenas um jovem escritor russo de 27 anos, sensível demais para a brutalidade ao redor e talentoso demais para ser ignorado por muito tempo.
Antes da queda
Quem lê Crime e Castigo ou Os Irmãos Karamázov encontra um autor que já mergulhou nas profundezas da culpa humana, que já decifrou os abismos da fé, da loucura e da redenção. Nada disso existia ainda quando Dostoiévski escreveu Noites Brancas. Ele ainda não havia enfrentado o pelotão de fuzilamento que quase lhe tirou a vida e que, de modo irônico, lhe devolveu a alma. Era cedo demais para as trevas existencialistas que marcariam sua obra madura.
O sucesso e o silêncio
O que Dostoiévski tinha, em 1848, era o sucesso do seu primeiro romance, Gente Pobre. O nome crescia nos salões literários de São Petersburgo, mas, ao mesmo tempo em que a fama se espalhava, algo em sua alma se retraía. Os ventos da crítica já sopravam, e com eles os primeiros sinais da censura que marcaria boa parte da sua vida como escritor russo.
Era um artista romântico, apaixonado por sonhos, que caminhava por uma São Petersburgo silenciosa, envolto em ideias francesas. A influência de Balzac e de Victor Hugo se misturava aos ecos tardios do sentimentalismo europeu, a corrente que ainda insistia em tratar o coração como matéria digna de literatura, antes que o realismo mais cruel tomasse a cena.
Uma cidade e uma luz
É desse momento liminar, entre o aplauso e a introspecção, entre a doença que já o rondava e uma angústia que ele mesmo ainda não compreendia totalmente, que nasce Noites Brancas. A cidade que emoldura a novela, com suas noites que não escurecem por completo, funciona quase como retrato do próprio autor: um homem em suspenso, entre o dia que insiste em ficar e a noite que reluta em começar.
O Dostoiévski de Noites Brancas ainda não gritava. Ele suspirava. É esse sussurro, e não os gritos que viriam depois, que a aula do Nous sobre a obra convida a ouvir com atenção.
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Quantos anos Dostoiévski tinha quando escreveu Noites Brancas?
Vinte e sete anos. Era 1848, um ano antes do episódio que mudaria sua vida para sempre e décadas antes dos grandes romances que o consagrariam.
Dostoiévski já tinha enfrentado o pelotão de fuzilamento quando escreveu Noites Brancas?
Não. Em 1848 esse episódio, que quase lhe tirou a vida e que ele próprio descreveria como o momento em que a alma lhe foi devolvida, ainda estava por vir.
O que Dostoiévski já tinha publicado antes de Noites Brancas?
Gente Pobre, seu romance de estreia, que lhe rendeu sucesso imediato e um nome crescente nos salões literários de São Petersburgo.
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Aula de origem (YouTube): Noites Brancas, de Fiódor Dostoiévski (NousCast)