Qual tradução da Ilíada ler, e como começar

Aula de origem: Ilíada, de Homero

Se você vai ler a Ilíada e quer saber qual tradução comprar, a resposta direta é esta: a de Frederico Lourenço. É a que o Nous aconselha a quem está começando, porque é uma tradução moderna e ajuda sobretudo quem inicia essa leitura. Já as citações das aulas do canal vêm de outra, a de Carlos Alberto Nunes, e vale entender por quê, para não estranhar quando o seu livro e a aula disserem o mesmo verso com palavras diferentes.

A tradução para ler: Frederico Lourenço

Lourenço traduziu a Ilíada direto do grego, em português de hoje, publicada no Brasil pela Penguin-Companhia (2013). O que a torna a escolha natural para quem nunca abriu o poema é a clareza: a leitora não precisa de dicionário a cada página nem de paciência extra com a sintaxe antes de chegar à história. Um poema de quase três mil anos já impõe dificuldade suficiente por conta própria. A tradução de um primeiro contato deveria acrescentar o mínimo possível.

Essa escolha tem a mesma lógica da que fizemos para o outro poema de Homero, e a conversa está no artigo Qual tradução da Odisseia ler?.

A tradução das citações: Carlos Alberto Nunes

Nas aulas do Nous, os trechos lidos da Ilíada vêm da versão de Carlos Alberto Nunes, publicada pela Nova Fronteira, que é um pouco mais antiga. Nunes traduziu os poemas homéricos em hexâmetros, o verso longo do original grego, e o resultado soa de outro modo: mais solene, de vocabulário menos corrente.

A consequência prática é simples. Se você assistir à aula com a tradução de Lourenço nas mãos, vai encontrar diferença de redação nas passagens citadas, mesmo quando a cena é exatamente a mesma. O que mudou é o tradutor, não Homero. Ler as duas, uma depois da outra, aliás, é um bom exercício: a mesma cena, o mesmo verso, duas escolhas de português.

Primeiro obstáculo: tantos nomes para o mesmo povo

Duas coisas travam o leitor de primeira viagem, e a primeira delas é o vocabulário. Os gregos aparecem na Ilíada com vários nomes: gregos, aqueus, dânaos, argivos. São todos o mesmo povo. Nenhum deles indica uma facção ou um exército diferente. Basta lembrar que são nomes do mesmo povo.

Na prática: sempre que aparecer "aqueus", "dânaos" ou "argivos" do lado do acampamento, leia "gregos" e siga em frente.

Segundo obstáculo: a lista das naves

A segunda coisa que costuma travar é a lista das naves dos gregos, uma lista quase infinita de chefes, cidades e navios, no Canto II. É a primeira dificuldade real do leitor que está começando, e a orientação é prática: quando chegar nessa parte, não se preocupe, pule. Depois, com calma, volte e leia o catálogo como o que ele é, um inventário do tamanho da expedição.

Como ler: um canto por dia, sabendo o fim

Dois conselhos de método fecham o caminho. O primeiro: leia um canto por dia. O poema tem 24 cantos, e o ritmo é bom para esse passo, porque cada canto é um episódio com começo e fim próprios.

O segundo: leia sabendo o fim, sem medo de estragar nada. O próprio Homero diz o que vai acontecer. E quem ouvia o poema na Antiguidade já conhecia a história: o que prendia a todos à escuta não era o que estava sendo narrado, mas como aquilo acontecia. É uma boa mudança de atitude para o leitor moderno, acostumado a fugir de spoiler.

Para quem prefere um mapa antes de partir, o resumo da Ilíada segue o poema na ordem e mostra por onde ele passa.

Para ler a Ilíada canto a canto

Para quem quer acompanhar cada canto com apoio, o guia de leitura da Ilíada no Clavis Libri traz o resumo e a análise de cada canto, além de personagens e temas. Funciona bem como companhia do livro, qualquer que seja a tradução escolhida.

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Perguntas frequentes

Qual é a melhor tradução da Ilíada para começar a ler?

A de Frederico Lourenço. É uma tradução moderna e ajuda sobretudo quem está iniciando a leitura, e é a que o Nous aconselha a quem vai abrir o poema pela primeira vez.

Por que a aula do Nous cita outra tradução, a de Carlos Alberto Nunes?

Porque a aula usa a versão de Nunes para as citações, uma tradução um pouco mais antiga que a de Lourenço. Por isso, quem acompanhar a aula com o livro de Lourenço ao lado vai notar diferenças de redação nos mesmos trechos. É diferença de tradução, não de poema.

Aqueus, dânaos, argivos e gregos são o mesmo povo?

São. Na Ilíada os gregos aparecem com vários nomes, gregos, aqueus, dânaos e argivos, e todos designam o mesmo povo. Quem lê pela primeira vez pode substituí-los mentalmente por "gregos" sem perder nada.

Como não desistir da Ilíada no meio da leitura?

Lendo um canto por dia, pulando a lista das naves na primeira passada, e lendo sabendo o fim. Homero conta no próprio poema o que vai acontecer, e o interesse nunca esteve na surpresa.

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