Livre-arbítrio em Macbeth: destino ou escolha?

As bruxas dizem a Macbeth que ele será rei. A pergunta que move a peça inteira é: elas anunciam um destino já escrito, ou apenas dão nome a um desejo que já estava lá? A resposta de Shakespeare decide se Macbeth é vítima ou réu.

A profecia não obriga

Em momento algum as bruxas mandam matar. Elas dizem o que será, não o que fazer. A melhor prova está na própria peça: Banquo ouve a mesma profecia, a de que seus descendentes reinarão, e não mata ninguém. Mesma previsão, escolhas opostas. Se o oráculo determinasse a ação, os dois homens teriam o mesmo destino. A diferença não está na profecia, está na vontade de quem a escuta.

A profecia como espelho

O que a profecia faz é revelar. Ela ilumina um desejo que Macbeth preferia não ver. Por isso ele não espera: "se a sorte me quer rei, que a sorte me coroe sem que eu me mexa", diz, e em seguida se mexe. Ele acredita o suficiente para matar, mas não o suficiente para confiar. O destino vira desculpa para a pressa.

O anel de Giges

Platão, na República, conta o mito do anel de Giges: um anel que torna invisível. A pergunta é simples e terrível: o que um homem faz quando tem certeza de que ninguém o vê? Para Platão, o injusto se entrega à injustiça assim que se sente impune. A profecia é o anel de Macbeth. Ela não o torna invisível, mas o convence de que o destino já o absolveu de antemão. Removido o freio da consequência, o desejo faz o resto.

O destino até cumpre as promessas. Mas não perdoa quem tenta assinar no lugar dele.

Por que isso importa para a sua vida

O livre-arbítrio é a condição da tragédia: se tudo fosse fado, não haveria culpa, e Macbeth não seria perseguido por punhais imaginários e fantasmas. A peça insiste que ele escolheu. E nos devolve a pergunta: quando uma voz lhe garante que aquilo que você mais quer já é seu, você espera, ou força a porta? Confiar é, no fundo, um ato de livre-arbítrio.

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O mito do anel de Giges, de Platão

A pergunta sobre o que fazemos quando ninguém vê, explicada no canal do Nous no YouTube.

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Perguntas frequentes

As bruxas de Macbeth controlam o destino dele?

Não. Elas preveem, mas nunca ordenam o crime. Banquo recebe a mesma profecia e não mata ninguém. A profecia revela o desejo que já existia em Macbeth, sem suprimir sua escolha.

Qual a relação entre Macbeth e o anel de Giges de Platão?

No mito de Platão, um anel que torna invisível testa o que alguém faz quando acha que ninguém vê. A profecia é o anel de Macbeth: ela o faz crer que o destino já o absolveu, removendo o freio moral. A pergunta é a mesma: quem você se torna quando pensa que não há consequência?

Macbeth tem livre-arbítrio na peça?

Sim. A tragédia depende disso: se tudo fosse fado, não haveria culpa. Macbeth escolhe acelerar o destino com as próprias mãos, e é responsabilizado por isso. O livre-arbítrio é a condição da tragédia.

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