O Idiota, o Dom Quixote russo de Dostoiévski

Dostoiévski disse que o príncipe Míchkin era o seu Dom Quixote russo: um homem bom demais para um mundo cínico.

A frase de Dostoiévski

Ao criar o príncipe Míchkin, protagonista de O Idiota, Dostoiévski afirmou estar escrevendo um Dom Quixote russo: uma figura de bondade e ingenuidade absolutas, lançada num ambiente que não sabe recebê-la.

O paralelo

Míchkin não é ridicularizado por ser tolo, e sim por não jogar o jogo do cinismo. É o que os Duques fazem com Dom Quixote e Sancho. A diferença entre a nobreza espanhola e a elite russa é de grau, não de natureza: ambas transformam a pureza em espetáculo.

O que muda

Em Dostoiévski, o sofrimento é existencial e psicológico; em Cervantes, é comédia cruel. Mas a pergunta é a mesma nas duas obras: quem é o verdadeiro louco, o que acredita demais ou o que não acredita em nada?

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Perguntas frequentes

Por que Míchkin é chamado de Dom Quixote russo?

Porque Dostoiévski o concebeu como um homem de bondade e ingenuidade radicais num mundo cínico, à maneira de Dom Quixote. O próprio autor fez a comparação.

O que une O Idiota e Dom Quixote?

A figura do inocente que desarma e expõe a pobreza moral da sociedade ao redor, e que por isso vira alvo de zombaria e manipulação.

Qual a diferença entre as duas obras?

Em Dostoiévski o tom é trágico e psicológico; em Cervantes, cômico e satírico. O diagnóstico sobre a crueldade social, porém, é parecido.

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