Literatura e vida
Como ler uma peça de teatro sem travar
Se você abre uma peça de teatro e trava nas rubricas e em quem está falando, o problema não é você. É o formato. Veja o método para destravar a leitura.
Literatura e filosofia
Ofélia, a única que enlouquece de verdade
O quadro mais reproduzido da língua inglesa retrata uma cena que a peça nunca encena. E é exatamente isso que aconteceu com Ofélia do início ao fim, um sofrimento que ninguém assiste de perto.
Literatura e filosofia
Hamlet, de Shakespeare: resumo e análise
Não é o indeciso: é o único personagem em cena que calculou o preço de agir. O resumo que segue a peça ato a ato e explica por que a espada não desce.
Literatura e filosofia
O fantasma de Hamlet: purgatório ou inferno?
A pergunta que organiza a peça inteira não é se Hamlet vai se vingar. É de onde veio aquela voz debaixo do palco, e se obedecer a ela é honrar o pai ou cair numa armadilha.
História das Ideias e da Civilização
O purgatório na Inglaterra de 1601
A Inglaterra que assistiu a estreia de Hamlet era protestante havia mais de sessenta anos, e a Reforma tinha abolido o purgatório. Um fantasma que vem de lá era, tecnicamente, um fantasma proibido.
Literatura e política
Por que Hamlet não herdou o trono
Não é um buraco no enredo. A Dinamarca da peça escolhe seu rei por conselho, e isso muda tudo o que Cláudio fez, e o que Hamlet faria se matasse o rei eleito.
Filosofia e teologia
Por que Hamlet não mata Cláudio rezando
A plateia acabou de ouvir Cláudio confessar que a própria oração não sobe. Hamlet não ouviu. E é aí que mora a ironia mais dura da peça.
Filosofia Aplicada
Dilema moral: quando nenhuma saída é limpa
A diferença entre o conflito de deveres que se resolve e o dilema moral genuíno, em que qualquer escolha cobra um preço. O nome que a filosofia dá ao impasse sem saída limpa.
Filosofia grega
A verdade saiu do templo e foi para a praça
No templo a palavra descia de quem sabia para quem escutava. Na praça grega ela passou a ser dita entre iguais, e quem discordasse respondia ali mesmo.
Filosofia Aplicada
Duvidar do que me ensinaram é falta de fé?
Examinar o que a tradição te ensinou não nasce contra a fé. Nasce da mesma capacidade que a tradição cristã chama de imagem de Deus em você.
Filosofia grega
O alfabeto que tornou o argumento conferível
Vinte sinais, aprendidos em semanas, contra centenas de sinais e anos de treinamento. A técnica que tirou o argumento das mãos de uma casta e o pôs à prova de qualquer um.
Filosofia Aplicada
Thaumazein: o espanto que não se contenta
Todo povo já se espantou com o mundo. A filosofia não nasce do espanto, nasce do espanto que se recusa a parar na primeira resposta que soa bem.
Grandes Livros e Literatura
Os gregos que morreram antes de Cristo
São Justino, filósofo e mártir, respondeu a uma pergunta que a maioria evita, sobre os gregos que pensaram com retidão sem nunca ouvir falar de Cristo.
Grandes Livros e Literatura
Paideia: formação não é instrução
Para os gregos, o ponto de tudo não era acumular matéria numa cabeça. Era formar o ser humano inteiro. Werner Jaeger recuperou essa palavra em Paideia.
Filosofia grega
A filosofia não nasceu da democracia grega
Tales pensa quase oitenta anos antes das reformas de Clístenes, do outro lado do Egeu. A filosofia e a democracia nasceram do mesmo hábito, e a filosofia veio primeiro.
Vida intelectual
Análise crítica não é resumo: o que sobra da leitura
O resumo devolve o enredo, que se esquece. A análise crítica pergunta o que a obra ensina, contra o que argumenta e o que exige que você mude. É o que decide o que sobra da leitura.
História das ideias
China e Coreia do Norte: reeducar é fazer amar o regime
Não é ficção científica: crianças que espionam os pais, campos que ensinam a amar o regime, e o quarto 101 que Orwell só nomeou.
História das ideias
Orwell não previu 1984: ele reconheceu o próprio tempo
Ele não inventou a Oceania olhando para o futuro, olhou para o lado: Stalin, Hitler e a utopia de Thomas More, virada do avesso.
História das ideias
Reescrever o passado é a jogada mais eficiente do poder
Vigilância exige aparato, tortura exige tempo. Alterar um registro é silencioso e definitivo: o argumento mais afiado de 1984.
Literatura e filosofia
1984, de Orwell: o aviso que virou rotina
A Oceânia, as três classes do Partido e a guerra perpétua que talvez seja só teatro. Por que 1984 não previu o futuro, reconheceu o presente.
Filosofia
Convicção ou medo: a linha entre autoridade e poder
Poder ilegítimo domina pelo medo, pela manipulação ou pela força. Autoridade legítima é seguida por convicção. A distinção que separa um governo de uma tirania, e uma fé de um domínio emocional.
Filosofia
Deus e o Estado, de Bakunin
Bakunin quis abolir toda autoridade, religiosa ou estatal, em nome da liberdade individual. O efeito pêndulo pergunta: isso resolve o problema, ou só o reinicia?
Filosofia
Entre o controle total e o caos, a via do meio
Nem o controle absoluto de 1984 nem a ausência de autoridade de Bakunin. A via do meio é a reeducação do cidadão nas virtudes e nos deveres, e ela começa nos clássicos.
Filosofia
Fugir de um extremo raramente leva ao equilíbrio
Bakunin reagiu à opressão do Estado e da religião propondo a abolição total da autoridade. O efeito pêndulo explica por que esse tipo de reação raramente encontra o meio-termo.
Literatura e filosofia
O quarto 101 e o fim de Winston Smith
O'Brien não quer que Winston confesse, quer que Winston acredite. Por que o desfecho de 1984 é pior do que a morte, e o que o quarto 101 virou hoje.
Literatura e filosofia
Os três slogans do Partido em 1984
"Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força." Por que os slogans de 1984 não são frases de efeito, e como eufemismos modernos fazem o mesmo trabalho.
História da Igreja
Castel Gandolfo, a residência dos papas
Por que os papas passam o verão sobre uma cratera vulcânica desde o século XVII, e por que isso mudou duas vezes nas últimas décadas.
História e viagem
Castelli Romani, o que ver
Frascati, Castel Gandolfo e o lago de Albano, na cratera vulcânica que a elite romana escolheu para escapar da cidade há mais de dois mil anos.
Filosofia
Otium: por que sair da cidade para pensar
O otium romano não é lazer, é método. De Cícero em Túsculo aos papas em Castel Gandolfo, o retiro sempre foi parte do trabalho de pensar.
Filosofia e política
Eichmann em Jerusalém: banalidade do mal
O que Hannah Arendt quis dizer com banalidade do mal, e por que a expressão é tão citada quanto mal compreendida.