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Ensaios e leituras

Textos sobre filosofia, teologia, história da Igreja e os clássicos, escritos com a mesma lente filosófico-cristã das nossas aulas. Por John Wanzer.

Filosofia grega

A filosofia não nasceu da democracia grega

Tales pensa quase oitenta anos antes das reformas de Clístenes, do outro lado do Egeu. A filosofia e a democracia nasceram do mesmo hábito, e a filosofia veio primeiro.

Vida intelectual

Análise crítica não é resumo: o que sobra da leitura

O resumo devolve o enredo, que se esquece. A análise crítica pergunta o que a obra ensina, contra o que argumenta e o que exige que você mude. É o que decide o que sobra da leitura.

História das ideias

China e Coreia do Norte: reeducar é fazer amar o regime

Não é ficção científica: crianças que espionam os pais, campos que ensinam a amar o regime, e o quarto 101 que Orwell só nomeou.

História das ideias

Orwell não previu 1984: ele reconheceu o próprio tempo

Ele não inventou a Oceania olhando para o futuro, olhou para o lado: Stalin, Hitler e a utopia de Thomas More, virada do avesso.

História das ideias

Reescrever o passado é a jogada mais eficiente do poder

Vigilância exige aparato, tortura exige tempo. Alterar um registro é silencioso e definitivo: o argumento mais afiado de 1984.

Literatura e filosofia

1984, de Orwell: o aviso que virou rotina

A Oceânia, as três classes do Partido e a guerra perpétua que talvez seja só teatro. Por que 1984 não previu o futuro, reconheceu o presente.

Filosofia

Convicção ou medo: a linha entre autoridade e poder

Poder ilegítimo domina pelo medo, pela manipulação ou pela força. Autoridade legítima é seguida por convicção. A distinção que separa um governo de uma tirania, e uma fé de um domínio emocional.

Filosofia

Deus e o Estado, de Bakunin

Bakunin quis abolir toda autoridade, religiosa ou estatal, em nome da liberdade individual. O efeito pêndulo pergunta: isso resolve o problema, ou só o reinicia?

Filosofia

Entre o controle total e o caos, a via do meio

Nem o controle absoluto de 1984 nem a ausência de autoridade de Bakunin. A via do meio é a reeducação do cidadão nas virtudes e nos deveres, e ela começa nos clássicos.

Filosofia

Fugir de um extremo raramente leva ao equilíbrio

Bakunin reagiu à opressão do Estado e da religião propondo a abolição total da autoridade. O efeito pêndulo explica por que esse tipo de reação raramente encontra o meio-termo.

Literatura e filosofia

O quarto 101 e o fim de Winston Smith

O'Brien não quer que Winston confesse, quer que Winston acredite. Por que o desfecho de 1984 é pior do que a morte, e o que o quarto 101 virou hoje.

Literatura e filosofia

Os três slogans do Partido em 1984

"Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força." Por que os slogans de 1984 não são frases de efeito, e como eufemismos modernos fazem o mesmo trabalho.

História da Igreja

Castel Gandolfo, a residência dos papas

Por que os papas passam o verão sobre uma cratera vulcânica desde o século XVII, e por que isso mudou duas vezes nas últimas décadas.

História e viagem

Castelli Romani, o que ver

Frascati, Castel Gandolfo e o lago de Albano, na cratera vulcânica que a elite romana escolheu para escapar da cidade há mais de dois mil anos.

Filosofia

Otium: por que sair da cidade para pensar

O otium romano não é lazer, é método. De Cícero em Túsculo aos papas em Castel Gandolfo, o retiro sempre foi parte do trabalho de pensar.

Filosofia e política

Eichmann em Jerusalém: banalidade do mal

O que Hannah Arendt quis dizer com banalidade do mal, e por que a expressão é tão citada quanto mal compreendida.

História e viagem

Estudar antes de viajar muda o que você vê

A mesma pedra diz uma coisa para quem passa e outra para quem chega preparado. Por que o preparo cultural muda a viagem, não só a explica.

Arte e Renascimento

O jardim italiano é uma ideia de mundo

Geometria, eixo e água domesticada, nível após nível. O jardim renascentista italiano não descreve a natureza, argumenta contra ela.

Filosofia e política

Uma placa no chão pesa mais que um monumento

Por que uma placa de dez centímetros no calçamento faz um trabalho de memória que nenhum monumento consegue fazer.

Arte e Renascimento

Órgão de Água, em Villa d'Este

Uma máquina hidráulica do século XVI toca música em Tivoli sem eletricidade e sem ninguém tocando. Como ela funciona, e por que ficou muda por dois séculos.

História das ideias

SPQR, o que significa

Senatus PopulusQue Romanus, e o pequeno detalhe do enclítico -que que quase ninguém explica direito.

Arte e Renascimento

Villa d'Este, em Tivoli, o que ver

O que ver em Villa d'Este, de Tivoli, na ordem do percurso, do Órgão de Água ao Viale delle Cento Fontane.

Arte e Renascimento

Fonte das Tartarugas, na Piazza Mattei

A fonte renascentista da Piazza Mattei, a autoria real por trás dela, e o acréscimo de setenta anos depois que ninguém sabe explicar.

História e viagem

Gueto judaico de Roma, o que ver

O percurso completo pelo bairro judeu mais antigo da Europa, do Teatro de Marcelo à Sinagoga Maior, na ordem em que ele acontece a pé.

História das ideias

Judeus em Roma, a comunidade mais antiga

Do século II a.C. ao Arco de Tito, do gueto de 1555 à Sinagoga Maior: como a presença judaica em Roma nunca se interrompeu.

História das ideias

Pedras de tropeço no gueto de Roma

O que são as pequenas placas de latão diante das portas do gueto de Roma, e o que aconteceu na madrugada que elas marcam.

Literatura e cinema

Le notti bianche: Visconti filma Dostoiévski em Roma

Visconti transpôs Noites Brancas para Livorno e ergueu a cidade inteira num estúdio romano. Por que esse artifício é fiel ao espírito do livro.

História das ideias

Os sonhadores do Romantismo europeu

O sonhador de Dostoiévski tem irmãos na Europa: o Jacopo Ortis de Foscolo e o jovem que espera de Leopardi. Um tipo que atravessa fronteiras.

Filosofia e psicologia

Amor idealizado: por que amamos a ideia da pessoa

O apaixonado não ama a pessoa em objeto, ama a ideia que criou dela. Um conceito de filosofia aplicada, a partir de Noites Brancas, de Dostoiévski.

História das ideias

Dostoiévski em 1848, antes do gênio torturado

Em 1848, Dostoiévski ainda não era o gênio torturado que o mundo conheceria: um jovem de 27 anos, aclamado nos salões e em silêncio por dentro.